24 de abril de 2009

Hoje.

Da janela da cozinha ela fita o céu toda manhã, começa a preparar a água do café e a mesa com o pão.
Com a xícara quente a mão, sorri para o azul que lhe é ofertado seguindo com uma precinha rápida em desejo de bom dia.
Na mesa, com tudo pronto, em pensamento programa seu dia.
Mas excepcionalmente hoje, o céu não se abril, a neblina úmida e fria encobriu o que os últimos dias se apresentavam azul e gentil.
A mesa do pão não foi posta, o café não foi feito à prece não lançada.
Seu primeiro pensamento foi de que o inverno terá inicio dentro de pouco tempo, que hoje é sexta-feira: dia da faxina.
Mas seu corpo não responde.
De meias e pijama pela casa de um lado para outro ela tenta um sorriso, na idéia de poder fazer com que seus músculos faciais se comuniquem com os de sentimento de alegria.
Em vão, a única coisa que consegue é um amarelado entreabrir dos lábios, fazendo sentir a bochecha gigante e olhos avolumados.
Parada entre a sala e a cozinha não sente como em outros dias, sua vida como um grande filme, e sim que a vida realmente crua e dura não é um filme.
Embriagada em sua própria escuridão hoje o que lhe basta, agrada e contenta é tão famosa sessão cinema.

2 comentários:

João Compasso disse...

Pois é..nada é por acaso. Aqui me deparei com palavras sensiveis que me fazem bem!
Obrigado.

Paz e amor para ti. beijos

. fina flor . disse...

e aí, querida, tá conseguindo?

espero que sim ;o)

beijos e boa semana,

MM.