30 de maio de 2009

VocÊ.




Lembro-me quando nos conhecemos, eu era apenas uma menina, estava no colégio, mais especificamente no banheiro feminino. Eu não era popular, admirava as peladas e campeonatos que havia no meio do ano.


Era na parte da manhã, falávamos da loira do banheiro, sentíamos certa emoção e pavor, mais em sua companhia só podíamos nos encontrar ali, as escuras, e o prazer de sentir a adrenalina que corria pelo corpo era a descoberta de desbravar em grande aventura um campo desconhecido.


Depois de certo tempo, com os anos se passando, a idade avançando, os encontros se tornaram mais freqüentes, nas rodinhas meio ao sol do intervalo com as amigas e na saída, do outro lado da rua com uma grande turma.



VocÊ! Fazendo parte de quase todos os momentos sociais, eu te levando a publico e cada vez mais a serio. Já desejava sua presença na maior parte do tempo em “quase” todas as ocasiões.


Sentia-me a vontade em sua companhia, degustava-te como quem aprecia um bom vinho, come uma boa comida, move-se na água em dias quentes e nos de frio, se aquece meio ao cobertor.


O fato era de que já não conseguia querer te deixar, eu realmente não queria, nem mesmo pensava, estava tão acostumada a sentir prazer com vocÊ, em vocÊ! Pura rotina.


Companheiro diário, nas horas tristes, amargas, terríveis para uma pré-adolescente descobrindo o imenso mundo, você comigo estava.

Nas horas confortáveis, alegres e de muita satisfação, lá também estava.


Depois de três meses de separação com mais ou menos uns nove anos de união diária te senti novamente sentada na mesa da sala meio ao fim do jantar da "luluzinha", depois de duas garrafas de vinho, quatro cervejas e um strogonoff feito por minhas mãos.


Trouxe-te para dentro de mim como quem mata a saudade de um ente querido que a anos não se vê. A emoção de te ter em minhas mãos, te segurar, foi maior do que a de te sentir.



Pensei que seria diferente, e foi, totalmente diferente do eu queria que fosse.



Já não consigo te ver com aqueles olhos que te via.

Já não consigo te sentir com o mesmo tesão que te sentia.


Hoje a falta que eu sinto é de ter-te ao meu lado, meio aos meus dedos, podendo dividir momentos, muitos deles, quase todos eles, inclusive o silencio.


Hoje algo dentro de mim não te quer mais. As minhas mãos até que sim, mais meu coração, não mais.


5 comentários:

João Compasso disse...

Comunico muito com esse texto. Não com as situações, mas com o sentimento. E acho que o outro lado também sente o mesmo.

Muita paz, amor e tempo..esse é a resposta de todas as nossas angústias.

João disse...

Ele. A companhia diaria, o amigo nas horas de vazio interior. O bom amigo e o infiel, o traidor. Um beijo*

Marina disse...

Oi Carolzinha!
voce escreveu mto bem..parabens!!! lindo seu blog...eu tenho um tbm que levo mais a serio eheh
vou te passar o endereco: www.lucie.tabulas

beijosss amiga!

. fina flor . disse...

nem me fale, querida!!!

parei por dois anos, depois voltei, depois parei, voltei de novo.... esse sujeito é um terror.

aproveite seu momento e força ;o)

beijocas

MM.

>>> obrigada pela gentil visita

João Compasso disse...

Oi Caroool...
Você é pura gentileza!
Obrigado pelas palavras..beijos
E bora viveeer! rsrs